Na manhã desta terça-feira (26/01) recebemos, com extrema preocupação, a informação de que desde o final da tarde de ontem a polícia está fazendo cercos aos assentamentos e acampamentos da reforma agrária na região de Iaras-SP, portando mandados de busca e apreensão e mandados de prisão, com o intuito de intimidar, reprimir e prender militantes do MST. Neste momento já está confirmada *a prisão de 9 militantes assentados e acampados do MST,* os quais se encontram na Delegacia Seccional de Bauru-SP. No entanto, existe a confirmação foram expedidos mandados de prisão contra 19 trabalhadores, oriundos de ordem judicial expedida pela Comarca de Lençóis Paulista.
Os relatos vindos da região, bastante nervosos e apreensivos, apontam que os policiais além de cercarem casas e barracos, prenderem pessoas e promoverem o terror em algumas comunidades, também têm apreendido pertences pessoais de muitos militantes – exigindo notas fiscais e outros documentos para forjar acusações.* A situação é gravíssima, o cerco às casas continua neste momento (já durando quase um dia inteiro), e as informações que nos chegam é que ele se manterá por mais dias.
*Nossos advogados estão tentando, com muita dificuldade, acompanhar a situação e obter informações sobre os processos – pois a polícia não tem assegurado plenamente o direito constitucional às partes da informação sobre os autos e, principalmente, sobre as prisões . No entanto, *é urgente que outros apoiadores Políticos, Organizações de Direitos Humanos e Jornalistas comprometidos com a luta pela reforma agrária e com a luta do povo brasileiro divulguem amplamente e acompanhem mais de perto toda a urgente situação. A começar pelas pessoas que vivem na região de Iaras-SP, Bauru-SP e Promissão-SP. *
Situações como esta apenas reforçam a urgência da criação de novos mecanismos de mediação prévia antes da concessão de liminares de reintegração de posse, e de mandados de prisão no meio rural brasileiro – conforme previsto no Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3) -, com o intuito de diminuir a violência contra trabalhadores rurais.
No caso específico e emergencial de Iaras-SP, tal repressão é o aprofundamento de todo um processo de criminalização e repressão que foi acelerado a partir da repercussão exagerada e dos desdobramentos políticos ocorridos na regional de Iaras-SP por ocasião da ocupação da Fazenda-Indústria Cutrale, em outubro de 2009. O MST reivindica há anos para a reforma agrária aquelas áreas do Complexo Monções, comprovadamente griladas da União por esta poderosa transnacional do agronegócio. Ao invés de se acelerar o processo de reforma agrária e a democratização do uso da terra, sabendo-se que naquela região do estado de São Paulo há milhares de famílias de trabalhadores rurais que precisam de um pedaço de chão para sobreviver e produzir alimentos, o que obtemos como “resposta” é ainda mais arbitrariedade, repressão e violência .
*O MST-SP reforça o pedido de solidariedade a todos os lutadores e lutadoras do povo brasileiro comprometidos com a transformação do país numa sociedade mais justa e democrática*, e de todos os cidadãos e cidadãs indignadas com a crescente criminalização da população pobre e de nossos movimentos sociais pelo país. Não podemos nos intimidar nem nos calar diante de tamanho absurdo!
O ombudsman é o profissional quem tem liberdade para criticar a empresa na qual trabalha. Ele, mas do que qualquer outro profissional da comunicação, tem a liberdade de dizer o que pensa, além disso, cabe a ele a responsabilidade de expôr as criticas e reclamações dos leitores. Carlos Eduardo Lins da Silva, ex-professor da USP e que já teve experiência em diversos e importantes veículos da comunicação, tem a função de fazer esse trabalho em um dos maiores jornais do país, a Folha de São Paulo - primeiro veículo no Brasil a adotar essa medida. Na entrevista, concedida a blog do Centro Acadêmico de Comunicação Florestan Ferndandes (CACOFF), ele dá o seu parecer sobre sua função, os meios de comunicação e o processo de democratização do acesso a informação.
(CACOFF)No contexto atual, no qual a participação do público ganha cada vez mais importância, a função do ombdusman passa a ter uma nova dinâmica, um novo valor?
(Carlos Eduardo Lins da Silva) Creio que sim, a dinâmica mudou muito. Meus antecessores na era anterior à internet se comunicavam certamente com menos leitores do que eu, que chego a receber às vezes mais de cem mensagens num só dia. Não sei se isso aumenta o valor da função, mas certamente modifica a dinâmica do trabalho.
(CA) O ombudsman tem autonomia para criticar a empresa onde trabalha. Normalmente, o jornalista deve fazer o que o ‘chefe’ quer que ele faça. O quão diferente a atuação jornalística sem esse patrão? Ela é totalmente livre? Gera algum problema ou desconforto com o jornal ou colegas criticados?
(CE) Minha experiência é de absoluta autonomia. Claro que tenho um patrão, que me paga o salário, mas ele nem nenhum preposto seu jamais interferiu de qualquer maneira no meu trabalho. Eu decido absolutamente sozinho sobre o que e o que vou escrever. Nunca recebi nenhum pedido para abordar ou deixar de abordar nenhum tema.
(CA) Uma questão bastante polêmica e, pelo visto, longe de terminar é do diploma de jornalista. As grandes empresas de comunicação argumentam que a exigência da formação é uma herança da ditadura e um limitador da liberdade de expressão. Já, órgãos como a FENAJ e alguns jornalistas afirmam que é preciso preservar a regulamentação da profissão e que a formação é uma garantia de informação com qualidade. Como você avalia a necessidade do diploma e os interesses em jogo?
(CE) Não acho a obrigatoriedade do diploma em curso de jornalismo uma questão relevante. Acho importante haver boas escolas de jornalismo. Quem se formar em boas escolas terá certamente melhores chances de êxito na profissão. Diploma de escola ruim não garante qualidade profissional do formando.
(CA) Há pouco tivemos a 1ªCONFECOM (Conferência Nacional de Comunicação). O evento foi marcado por discussões polêmicas, entre elas, conselho de fiscalização, limitação da propriedade cruzada dos meios e regulamentação do conteúdo. Os meios de comunicação no Brasil precisam ser fiscalizados ou ter alguma orientação (leis ou diretrizes) a respeito da forma como devem atuar?
(CE) Acho que os meios de comunicação já são fiscalizados pela sociedade por meio da Justiça e do mercado. Nada além disso me parece nem necessário nem aconselhável.
(CA) Ainda sobre a CONFECOM. Os representantes da sociedade civil criticam a falta de democratização da comunicação e o perigo da concentração dela nas mãos de poucos grupos. A situação atual do acesso, produção e consumo é a ideal ou está longe disso?
(CE) Nunca a comunicação social foi tão aberta e democrática. Há até algumas décadas para alguém poder manifestar publicamente sua opinião precisava de muito dinheiro. Atualmente, pela internet, qualquer um pode, quase sem custo, expor sua opinião e suas informações ao mundo.
(CA) A Folha de São Paulo protagonizou alguns lances que mexeram com a opinião pública, como a questão da “ditabranda” e a ficha do DOPS da Dilma Rousseff. Há uma explicação para casos como esses? O jornal perdeu credibilidade?
(CE) Esta pergunta deve ser dirigida aos responsáveis pela Redação da Folha, por quem eu não posso falar.
(CA) O Estado de São Paulo já está há mais de 150 dias ‘sob censura’ ( o Estado usa as aspas). A proibição concedida pela justiça pode ser considerada censura? E a contagem de dias, sempre acompanhada de alguma matéria, não tornou-se um certo modo de promoção para o jornal?
(CE) Não emito opiniões sobre outros veículos de comunicação além da Folha. Mas, sem dúvida, o caso do Estado constitui clara situação de censura judicial.
(CA) Os telejornais de alcance nacional têm como foco de produção e análise das notícias o eixo “Rio – São Paulo”. Isso não chega a causar uma distorção nos critérios que definem o que é a notícia e na maneira como ela é apresentada?
(CE) Não assisto a telejornais brasileiros há 19 anos. Não tenho como opinar.
(CA) Qual a sua opinião sobre as principais pautas adotadas pela mídia, no que diz respeito aos grandes temas: política, economia,sociedade, cultura e esporte. As abordagens dessas matérias atendem a necessidade da maioria da população?
(CE) Acho que a pauta da Folha de S. Paulo ainda tem muito a melhorar e tenho escrito sobre isso semanalmente em minha coluna.
(CA) Existe mesmo um duelo entre a chamadas “grande imprensa” e “imprensa alternativa”?A sociedade é beneficiada por essa disputa? Quais procedimentos ela deve adotar para saber como se posicionar?
(CE) Acho essa dicotomia ultrapassada há anos.
(CA) Como professor universitário, de que forma você vê a formação dos estudantes de jornalismo? E o mercado de trabalho que espera por eles?
(CE) Não exerço a docência universitária em jornalismo no Brasil há 19 anos. Não tenho como responder a esta questão.
(CA) Você trabalha como omdusman tem um dos principais jornais do país e já foi professor de uma das faculdades maior destaque, a USP. Como avalia a sua carreira jornalística? Há alguma coisa que gostaria de fazer ?
(CE) Acho que fiz tudo que alguém pode fazer na carreira de jornalismo: fui aluno, professor, repórter, redator, editor, correspondente internacional, dono de jornais e revistas, diretor de grandes jornais, diretor na área econômica de um grande jornal, âncora de programa de TV, repórter de rádio, consultor de relações públicas, fiz jornalismo sindical, empresarial, partidário, de cooperativa, agora sou ombudsman. Só não trabalhei para governo como assessor de imprensa, e isso não pretendo fazer. Acho que já posso me aposentar ou morrer em paz.
*foto retirada do site da Folha **perguntas feitas por Paulo Pastor Monteiro
Colômbia com mais sete bases militares. Honduras sob um golpe militar legitimado por uma eleição sem legalidade. A Quarta Frota reativada em 1° de julho de 2008 -depois de mais de 50 anos desativada- e cuja função é patrulhar o Atlântico Sul. E agora o processo crescente de militarização da ajuda humanitária no Haiti.
No último dia 13 de janeiro, o mundo acordou com uma calamidade de dimensões assustadoras: um terço da população de um país, três milhões de pessoas desabrigadas, mais de 100 mil mortos, cerca de 40 mil mulheres grávidas sem a menor perspectiva de um teto para abrigar seus filhos e filhas. A comunidade internacional se movimenta a passos lentos no sentido de responder o quanto antes a essa tragédia: o terremoto do dia 12 de janeiro no Haiti. Como explicar que a longínqua China envie alimentos que chegam mais rápido que os dos EUA, que está a menos de uma hora de vôo de Porto Príncipe? Como explicar que os mais de dois mil fuzileiros navais sejam os primeiros “bens” dos EUA a aportarem nesta ilha caribenha?
Cuba, Venezuela e a própria Comunidade do Caribe (Caricom) imediatamente enviaram seus médicos, pessoal qualificado para desastres dessa dimensão. O avião da Caricom não pôde aterrissar no aeroporto Toussaint Louverture, assim como o avião da Força Aérea Brasileira. Tiveram que aportar em Santo Domingo, na República Dominicana, uma vez que os fuzileiros navais dos EUA tomaram o controle do aeroporto e dos portos haitianos.
Cabe a pergunta: como se fecha portos e aeroportos logo após uma tragédia dessa dimensão em que a comunidade internacional está se mobilizando para o envio de medicamentos, comida e roupas? Fechar portos e aeroportos não compõe uma estratégia de guerra? Assim sempre soubemos.
Desde 2004, o Haiti está ocupado pelas tropas militares da ONU através da Missão de Estabilização do Haiti – Minustah. Desde então, várias organizações nacionais e internacionais têm se posicionado pela retirada das tropas. Após seis anos de permanência no país, pouquíssimo fizeram para a reconstrução do Haiti.
Sabemos que o comando militar dessa missão está sob responsabilidade do Brasil. Por depoimentos já veiculados na mídia, soubemos que as tropas brasileiras estão fazendo do Haiti um campo de treinamento.
Como já escrevemos em outros artigos, esses treinamentos servem ao processo de militarização de diversas periferias urbanas. Não é a toa que há treinamentos dessas tropas em favelas do Rio de Janeiro. Elas vão ao Haiti e depois retornam à cidade carioca, como foi o caso da ocupação do Morro da Providência pela Guarda Nacional, em 2008.
Nesse momento de catástrofe, nos perguntamos: que papel está tendo a Minustah? Onde estavam seus soldados nos primeiros dias da tragédia? Os relatos que nos chegam do Haiti são de que a população pobre ficou absolutamente abandonada.
Com o crescente papel dos EUA no processo de militarização da ajuda humanitária no Haiti, nos perguntamos o que faz o Presidente Obama, achando pouco enviar soldados que podem chegar ao número de 14 mil, mobilizar Bill Clinton e George W. Bush para serem os coordenadores do esforço de reconstrução do Haiti.
Como explicar que em um país tão pequeno e tão pobre do Caribe, dois ex-presidentes da maior potência de guerra do mundo – os EUA – sejam designados a cuidar de sua reconstrução? O que está por trás de tudo isso? Em nossa opinião, são estratégias de vários tipos de militarização de nossos países da América. Estamos vendo, ao vivo e em cores, em nome da ajuda humanitária, um país ser ocupado militarmente após uma catástrofe monumental.
Assim, temos que fortalecer o grito de retirada das tropas militares do Haiti. Não se faz ajuda humanitária com tropas militares. O povo haitiano, através de suas organizações e movimentos sociais, precisa ser apoiado para que sua voz fale mais alto no processo de reconstrução do país.
Desde última segunda- feira, (18/01) foi constituída no Brasil a Frente Nacional de Solidariedade ao povo haitiano formada por movimentos sociais do campo e da cidade, por centrais sindicais, pastorais sociais, movimento negro, de mulheres, enfim, um espectro amplo de organizações da esquerda brasileira. A tarefa central é trabalhar a ajuda direta junto a organizações sociais haitianas e pela retirada das tropas militares. Muito trabalho existe pela frente. A reconstrução do Haiti vai ser lenta. Mas, não esqueçamos a dívida histórica que todos temos com este país. O Haiti foi a primeira nação do mundo a abolir a escravidão. Será que é esse o seu pecado?
Sandra Quintela, economista, é integrante do Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS)/ Rede Jubileu Sul.
Ainda que tenha passado a prova de 2009 do Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (ENADE), temos de estar atentos aos motivos que levaram os alunos de Comunicação Social da UNESP de Bauru decidirem, em assembléia, a Boicotar a prova e o quanto devemos dar credibilidade a ela ou não.
TERRA: Ministério da Educação anula 54 questões do Enade 06 de janeiro de 2010 • 02h48 • atualizado às 16h39
O Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) aplicado no ano passado teve 54 questões anuladas pelo Ministério da Educação, segundo informações do jornal O Globo desta quarta-feira. Três questões discursivas também teriam sido anuladas.
Dentre as 40 questões aplicadas para estudantes de cursos de teatro, 17,5% foram anuladas, o maior índice. Os cursos de jornalismo, design e tecnologia em gastronomia tiveram a anulação de seis perguntas.
Inep anula 54 questões do Enade 2009 06/01 - 15:50
iG São Paulo O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) anulou 54 questões do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) 2009. De acordo com o instituto, as anulações foram realizadas no dia 18 de dezembro. Veja as provas e gabaritos do Enade 2009 Segundo o instituto, foi anulada uma questão das 10 questões gerais, aplicadas para todas as áreas avaliadas. Na prova aplicada aos estudantes de comunicação, foram anuladas 11 questões. Em uma delas, o nome do presidente Lula aparecia escrito de forma incorreta.
Ainda de acordo com o Inep, as questões foram anuladas por problemas nos enunciados ou por ambiguidade nas alternativas, dando mais de uma possibilidade de resposta. Mais de 1,1 milhão de estudantes de todo o País, realizaram o exame, que é aplicado anualmente para estudantes ingressantes e concluintes das áreas de graduação que devem ser avaliadas pelo Inep, no dia 8 de novembro de 2009 em todo o Brasil. Dentro das áreas determinadas, foram avaliados 7.080 cursos de 1.807 instituições diferentes. O exame é obrigatório, sem ele, os universitários não conseguem receber seus diplomas.
Como mesmo afirmou o portal IG, estamos submetidos à realização desta prova para nos formarmos. No mínimo precisamos refletir se queremos ou não estar submetidos a essas provas que possuem questões com qualidade duvidosa e objetivo nada inocente. E nos perguntarmos sempre quem foi que optou pela obrigatoriedade dos alunos da UNESP realizarem esta prova, já que não é uma instituição de ensino federal (E USP e Unicamp não a realizam)?
Eu não sei quanto a vocês mas não será essa provinha aplicada a poucos que avaliará o meu curso, o meu convivio universitário e muito menos a minha qualidade como comunicólogo e jornalista.
Nota 0 para o ENADE, por uma avaliação de verdade!
Gabriel Maia Salgado Aluno do terceiro ano de Jornalismo da UNESP
A partir do dia 16,na PUC de São Paulo, estudantes de comunicação - de todos os estados brasileiros- vão se encontrar para participarem da COBRECOS (Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social). O evento organizado pela ENECOS (Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação) tem como tema: “Crise: Decifra-me ou te devoro: Comunicação Social em tempos de consenso”. A COBRECOS tem como objetivo discutir as principais pautas e metas dos estudantes de comunicação, promover o debate e a troca de experiências entre alunos de diferentes realidades. A atuação em conjunto é vital para garantir a força e o poder de atuação do movimento estudantil. Nos dois primeiros dias a conferência será marcada por palestras de importantes nomes do cenário político e da comunicação nacional. Já no dia 16, as 20hr, Plínio de Arruda Sampaio fala sobre a práxis da transformação social, Sue Iamamoto explica o embate entre América Latina e o neoliberalismo, completam a mesa Gilmar Mauro (MST) e o Prof. Cristy Pato. No dia 17, as 14hrs, o “Painel Comunicação” conta com a participação de Hamilton Otavio (Caros Amigos) comentando sobre a situação do monopólio da mídia, o coletivo Intervozes fala sobre o processo da CONFECOM, também estará presente representante da associação das rádios comunitário (Abraço) e Luis Nassif. Temas como a criminalização da pobreza, função social da comunicação, relação trabalhista e a representação na comunicação grupos minoritários serão abordados em outros painéis. Entre os palestrantes estão: Igor Fuser, Maíra Kubik, Douglas (Uniafro) e Sindicato é Pra Lutar. As inscrições para o Congresso estão abertas, basta preencher a ficha disponível no blog e enviar, junto com o comprovante de pagamento, para um dos coordenadores regionais do seu Estado para que este repasse para a Comissão Organizadora do Cobrecos.
Valor da Inscrição: Programação + Alimentação + Alojamento: R$120,00 Programação + Alimentação: R$ 80,00 Programação + Alojamento: R$ 80,00 Só a Programação: R$ 40,00
Mais informações: http://cobrecos2010.wordpress.com/
por *Marcelo Salles, do Fazendo Media
Na noite desta segunda-feira, dia 4, a TV Brasil mostrou que está a fim de produzir e veicular um outro tipo de Jornalismo. Em seu principal telejornal, o Repórter Brasil, a emissora exibiu extensa e corajosa reportagem sobre a tragédia ocorrida em Angra dos Reis, mas com uma grande diferença em relação às empresas comerciais: a especulação imobiliária aparece entre os atores causadores das cinquenta mortes.
A TV Brasil foi a campo e entrevistou um vereador da oposição, em Angra, e o deputado estadual Alessandro Molon. Eles criticaram, respectivamente, o desvio de verba da prefeitura municipal, que deveria ser usada na proteção ao meio-ambiente, e o afrouxamento, pelo governador Sérgio Cabral, da legislação que garante a segurança das construções em áreas de encosta. De quebra, o telejornal ainda explicou, didaticamente, como funcionam as autorizações para as intervenções em regiões consideradas de risco.
Enquanto isso, as corporações de mídia culpam a chuva – que não tem assessoria de imprensa e nem verba publicitária. Quem assistiu a esta reportagem do Repórter Brasil não apenas tomou conhecimento de aspectos fundamentais para a compreensão da tragédia em Angra dos Reis. Também entendeu por que é tão importante a existência de veículos de comunicação que não sejam pautados pela lógica comercial, da audiência a qualquer preço.
Novos desastres anunciados
Na última quinzena de 2009, o deputado estadual Marcelo Freixo protagonizou uma discussão importantíssima para o cidadão fluminense, mas que infelizmente ainda não teve grande repercussão nos meios de comunicação (quem sabe a TV Brasil não se interessa?). Trata-se da tentativa de aprovação da lei que amplia a área de proteção do Parque Estadual da Serra da Tiririca – que abrange os municípios de Niterói e Maricá -, cuja votação estava marcada para agosto. A demora, segundo denúncia gravíssima de Marcelo Freixo, ocorre devido a um acordo do prefeito de Niterói, Jorge Roberto Silveira, com o presidente da Alerj, Jorge Picciani. A maior beneficiária desse acordo é a especulação imobiliária, que em Niterói está concentrada nas mãos de uma empresa privada chamada Patrimóvel.
Em razão de sua luta pela aprovação da lei (assinada também pelos deputados Rodrigo Neves e Luiz Paulo), Freixo foi xingado de “leviano” por Jorge Roberto num jornal local. Sua resposta, na mesma moeda, foi dada no dia 15 de dezembro, no plenário da Alerj, e publicada no Diário Oficial.
Quem vive em Niterói, como eu vivo há 30 anos, conhece bem os males da especulação imobiliária. Crescimento desordenado; muita gente sem casa, muita casa vazia; preços exorbitantes dos imóveis; um trânsito cada vez pior (já levei 50 minutos para percorrer 8km); problemas graves de distribuição de água e energia; poluição crescente das praias (incluindo uma das mais belas do mundo, a de Itacoatiara, ameaçada pelos diversos espigões que crescem ao seu redor); saneamento básico comprometido.
Se a sociedade não se mobilizar agora, Niterói pode viver uma tragédia de enormes proporções nos próximos anos. Além, é claro, de as tragédias cotidianas citadas no parágrafo anterior continuarem deteriorando, aos poucos e sem divulgação, a vida de milhares de pessoas. Muitas delas devido a esse profundo caso de amor entre o prefeito e a Patrimóvel.
*Marcelo Salles é um dos responsavéis pelo Fazendo Media e editor da Caros Amigos, no Rio de Janeiro.
O tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira.
(Mário Quintana)
Caros e caríssimas alunos da UNESP, gloriosa equipe da WRUV: pertencemos a cultura do amanhã, somos contínuos construtores do moderno projeto do porvir. Aprendemos desde cedo, a pensar e a preparar arduamente o futuro. Investimos tantas energias no amanhã, que quase não percebemos que a vida ocorre no presente. Afinal cada criatura da natureza vive apenas um dia de cada vez.
Sabemos que o futuro de cada um, por mais sonhado, cobrado ou planejado que seja, será sempre uma mera promessa. O amanhã poderá ser alterado pela instabilidade que rodeia a existência dos seres.
Ironicamente, ansiamos tanto pelo futuro, mas tememos o tempo: sabemos que cronos é voraz e sempre nos devolverá para o areal do cosmos. Mesmo finita, a vida é intensa e bela. Queremos certezas, mas somos também regidos pelos imprevistos.
Ainda ontem, falávamos e especulávamos sobre os anos 2000 e o século XXI. Em 2010 completaremos uma década como passageiros do novo século, que já não se mostra tão novo perante um cotidiano bem conhecido. Mesmo com alguns revezes e fadigas, seguimos nossa boa vida. Especialmente, por que estamos todos vivos e bem vividos.
Que o novo ano reserve para todos e todas, boas energias e muitas alegrias. Que tenhamos agora, as coisas boas que desejamos e planejamos para depois! Um abraço coletivo!
Somos o CACOFF - Centro Acadêmico de Comunicação "Florestan Fernandes", da UNESP de BAURU, que representa os cursos de Jornalismo, Rádio e TV e Relações Públicas.